quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Poeira de madeira

 


Eu gosto de estar na poeira da madeira. Construir um instrumento faz  construir também dentro de mim. Os sons da minha alma encontram a natureza. Gosto de sentir o cheiro da madeira, do bambú quando lixado, como se transforma, como quantas vezes minha mente inquieta não consegue focar por muito tempo. Quando estou nos processos de construção de flauta nativa eu sinto o vento, eu vejo o rio, as folha se balançando, o espírito das coisas. Eu não desisto e ainda há tanto para aprender. Muitos anos. Mas o espírito da flauta está comigo. Eu danço, toco para o fogo, mergulho nas águas, vôo com os pássaros. Escuto meus guias. Converso com Deus, eu agradeço de verdade. Um amor correspondido que cresce cada dia. O Grande Espírito não esqueceu da sua filha. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Das revoltas


Talvez eu quis chegar ao âmago de mim mesma, mas a escuridão foi me impedindo de prosseguir. Eu me senti sufocada, eu queria uma janela aberta, luz. Eu fugi. Eu continuo fugindo por uma estrada que não me leva a lugar nenhum, mas na verdade eu nunca quis estar aqui. Quanto tempo leva para viver nesta realidade? Não estou completamente encarnada, há uma parte minha por aí teimosa em viver o que desejo mas não construo. Porque construir é terminar, acabar, estar pronto e eu nunca estou pronta. Talvez porque eu teima de ver sempre aquela face que não me quis. Porque eu teima ver no escuro o rosto de quem me violou. Mas no meu esquecimento eu teimo em lembrar. Só conheci desafeto. Minha turma é composta de mim mesma e eu mesma me rejeito. Todo aquele peso nas costas continua aqui. Eu carrego minha cruz, mas não levo a culpa. Do que sei e do que não sei, que através de mim se descubra o mistério de estar aqui. Sem mais manipuladores. Todos os dias eu penso o que eu podia estar fazendo em vez de estar presa em tantas crença e na mentira do nosso mundo? Sustentando com minha vida e minha energia esse mundo doente. O que uma mãe pode fazer? Sem cair em armadilhas? Haja coragem, haja continuidade, haja morte. Eu quero desistir da luta, mas meu corpo não. Não quero golpear quem me feriu, mas meu braço sim. Como pode haver duas dentro da gente? O tempo do corpo e da mente. E do útero, este caldeirão que nunca mente. Um pássaro posou na sacada, é o presente. Não há nada a que ser feito. 

domingo, 12 de janeiro de 2025

Acreditar

 


Acreditar é algo que nos move como humanidade. Eu nunca pude acreditar em ninguém então busquei Deus. Das minhas experiências com as filosofias do oriente quem tocou meu coração foi Cristo, porque já estava na minha programação encontrá-lo dentro de mim, por mais que eu me afastasse. Mas nesta realidade sou mulher, e busco uma referência que faça sentido nesta minha experiência de mulher. Maria Madalena me abriu um caminho dentro de mim mesma, Lilith para lidar com a escuridão que carrego e mãe Maria não consigo me conectar pela minha dor nesta existência com minha mãe narcisista. Mas sempre busquei este amor perdido e encontrei a mim mesma, e apesar de tudo eu tenho respeito e venero o feminino, para além das minhas dores da ferida materna. É isso que me prende na Matrix? Se já um Deus ele nunca nos salvou, as coisas se repetem, as mulheres foram punidas porque Eva ia nos libertar a condição de escravos que estamos submetidos. Fomos amaldiçoadas por haver algo em nós que capaz de desagradar os deuses que nos aprisionam há milênios. Mas hoje não sobrou muito para saber e me parece que da mulher tudo vai desaparecer de vez. Nossa raça está sendo modificada, os deuses estão novamente nos atrasando espiritualmente, nos dividindo e causando todo o tipo de problema para nos dizimar: pandemia, engenharia climática, guerras, doenças que jogam pelo ar, vacinas que mudam nosso dna, robôs, incêndios, medo, terror, fome, etc... e nós mulheres? Algo realmente mudou? Nova era é a mesma velha era sobre novas roupagens. Nós estamos presos no mesmo programa. A humanidade acaba e começa uma nova até que se cansem novamente e acontece tudo de novo. É uma prisão. E porque ainda voltamos e acreditamos? E porque a mulher é tão temida pelos deuses? E porque nosso poder não foi capaz de mudar nossa condição? Mal sabemos o que somos...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

A mistura das dores

 



De sobrevivente desde criança por uma família disfuncional a pensar na sobrevivência hoje do meu dia-a-dia e da minha própria vida pelos tempos incertos. Eu sempre tento colocar tudo em caixinhas e tudo um belo dia transborda. Gostaria de lidar com tudo, mas isto é loucura. Hoje vi a face de um menino pedindo socorro. Talvez de Israel, talvez de qualquer lugar em guerra, usam o horror para pedir dinheiro ou sabe se lá o que. Eu comecei a chorar e ainda estou muito triste, tudo se mistura, todas as dores. Porque a guerra ainda, porque sempre a guerra? Tanta dor. E mesmo que seja karma, etc, o que é que nos contem além, é terrível. Eu sinto na alma uma revolta, às vezes não faz nenhum sentido está prisão aqui. Mal sabemos do que nos passa realmente, e o futuro é assombroso, já nem tenho condições de vizualizar. A humanidade está acabando. Logo seremos híbridos com máquinas, ou convivendo com seres "extraterrestres" que sempre esconderam. Totalmente dissociados de nossa verdadeira história e da manipulação e hipnose que nos colocam. 2025 um ano de acordo com algumas profecias de catástrofes naturais e uma grande guerra. Talvez comece na Europa, talvez façam contato alienígena, talvez haja um grande apagão, falte água. Talvez eu tenha que deixar de lado meus problemas como meu nível de estresse por recomeçar uma nova vida em uma cidade grande e pelos anos de estresse com minha mãe e pai narcisista e tudo o que minha mente apagou para sobreviver na minha infância, meus cabelos brancos sendo jovem e agora uma queda de cabelo. Eu achei que estava bem, mas é porque não tive muito escolha a não ser forte. Eu agradeço a mim mesma. Eu reconheço a mim mesma. Só há isso para viver, minha experiência pessoal, de muitas dores e também transformações. Eu não escolhi ser mal pelo que me fizeram. Eu escolho ter compaixão, seguir em frente. Mas não dou mais nenhum pedaço meu. Aprendi a lição. Eu deixo tudo para trás. Ninguém mais invade meu espaço, chega de abusadores. Já cumpri meu karma na minha infância. Sou mulher, sou mãe e busco forças dentro de mim. Se não faz sentido, não faz. Eu tenho coração, útero. Eu choro, eu sinto, eu luto por minha humanidade. 

 Hoje eu pertenço a este lugar onde estou, esta fronteira que muito lutei para criar. Eu escolhi este lugar e me sinto bem nele. Nele eu sou...