Me sinto em paz ou talvez cansada demais. A vida pede mudanças, a vida pede paciência, sempre paciência. Paciência...nunca tive e a vida me coloca no caminho dela, de novo e de novo até que tenha coragem de ver a realidade e esperar. Viver o agora. O agora sempre foi muito doído. Mas já não me interessa mais está história, está na hora de saber o que há além do sofrimento. Só preciso sair e não estar mais disponível para ele. Minha menina triste pode chorar, minha menina abandonada e indesejada pode existir... aí tudo se dissolve e encontra o mar. Este mar que banhou tanto minhas lágrimas, o medo de chorar e nunca parar, maior que todo o oceano. Quantas mortes! Minha infância perdida. Já perdi não volta mais. Há outras infâncias para compartilhar, viver.
Hoje minha filha e eu fomos passear solitárias. Tem sido dias difíceis, ela me acompanha, ela também sofre junto. Mãe e filha. Tenho essa dor tão doída de falta de mãe. Mas só carrego ela comigo, é minha história. Mas não estraga mais meu dia. Eu não permito.
