Eu não quero perder mais nada de mim... já perdi minha infância, minha alegria, muitas vezes minha vontade de viver... amarrada a traumas, impotências e raivas que somente um ser muito frágil poderia sentir. Eu já perdi muito, seja qual o motivo para tanta dor e sofrimento. Eu escolho me ter inteira. Escolho me permitir chorar toda a lágrima que guardei por saber que não seria acolhida, cada grito abafado, cada anestesia que meu corpo produziu. Eu quero paz. Eu quero profunda solidão, por mais que teime em me conectar com mulheres buscando a mãe que perdi e nunca tive e nem terei. E sim, e tudo bem. Aí começa a minha nova luta. Não ir, não fazer, não estar, não responder, não ajudar, não estar disponível, não me mover...morrer para estás atitudes que só me levam ao mesmo lugar...mais invalidação, manipulação, joguinhos, indiferenças...eu quero estar comigo mesma e tudo bem se não sobrar ninguém. Minha vida só demonstrou que nunca teve mesmo, eu que sempre sustentei relações vazias e casei com a maldade da minha mãe e família. Essas crianças feridas. Eu tenho que cuidar da minha, somente da minha. Que eu permita chorar pelo meu coração tão partido, e como dói. É só isso dor. É legítima e tudo bem. Eu posso depois de 33 anos de dor, chorar e soltar...entrego em tuas mãos... Cristo, tu sempre estás e esteve comigo. Renova-me...estou em paz...posso deixar ir...e não machucar nem eu e nem mais ninguém
