Meu coração ainda ama apesar de toda dor, do quão foi quebrado. Eu ainda amo, apesar dos abusos, traição, humilhações que passei. Eu ainda amo mesmo sabendo que nunca fui amada, pois me parece que algo dentro do meu ser decidiu amar. Este amor nunca foi recebido e por isso meu peito transborda. A essência da vida é o amor. De tão pequeninos e frágeis quando nascemos não temos outra saída a não ser amar e depois cada ser faz sua escolha. E a minha não foi me tornar cruel ou fazer o mal que que causaram quando muito pequena ou mesmo que me causam como mulher. Como mulher posso decidir se permaneço em situações de abuso e me destruo por falta de amor próprio aprendido em tão tenra infância, pela culpa de não saber porque meus pais não podiam me amar ou posso decidir ser o que sou e construir a partir de mim mesma uma vida que valha a pena viver. Sou uma órfã, uma sonhadora no meio dos escombros, uma estrangeira na minha terra, um mistério para mim mesma. Ainda me apego as sombras do que vivi porque é só o que conheço. O resto são apenas cenários que eu mesma escolhi viver e do qual não me vejo mais neles. Deixar a dor não é tarefa fácil, não conheci o que é bom, vivi no meio de conflitos, segredos, maldades, negligências. E eu ainda amo. Amo aqueles que me maltrataram, mas não posso conviver com eles, pois não tolero mais abusos. Mas posso amá-los. Eu não sou cristã, mas sinto no meu profundo ser este amor pelos que me feriram. Este amor que nunca sentirão por mim porque não foi possível nesta vida, mas eu cumpri minha missão. Encontrei dentro de mim este amor, este amor que não recebi. Eu e por um instante neste momento eu me protejo dos meus demônios com amor, porque eles não compreendem o que é isto. Então com amor me visto.
