terça-feira, 20 de maio de 2025

Uma mãe sem mãe

 Hoje celebro minha maternidade, o nascimento da minha pequena Esperanza. 3 anos, tantos dias felizes e tantos desafiantes. Eu tão órfã me tornei mãe. A dor e alegria se misturam. As dores da minha existência e o dom de trazer minha filha aí mundo. Eu nasci de novo, e posso renascer cada ano com a lembrança do seu nascimento. Hoje choro de alívio, de alegria por esta jornada. Alívio porque me tornei mãe enquanto encarava o fato de eu nunca ter significado nada para a minha. Celebro minha força em seguir em frente e escolher o amor. Que a Deusa abençoe minha menina e sua jornada por estes tempos difíceis. Mesmo quando eu parta, vou estar sempre para ela. O que mais uma mãe pode fazer do que abençoar, amar e agradecer a oportunidade de uma parte sua seguir vivendo? Agradeço a oportunidade de ser mãe, para além do meu vazio, para além das minhas dores, ainda há espaço para amar.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O ciclo se repete

 Me pergunto até que ponto somos realmente capazes de curar algo? A raiva profunda da mãe perversa do pai abusador. Nunca poder confiar em ninguém. Uma angústia eterna e revolta de estar no lugar errado e não poder fazer nada pois estás sobre a autoridade de dois loucos. Compaixão eu tenho, mas meu ressentimento é dos grandes. Dói minha cabeça, eu só desejo sumir. Como atravessar essa dor? Ou não se atravessa. Não passa eu sei. O que é, é. O sofrimento é opcional diz os budista, mas a dor não. Então eu preciso digerir o que nunca esteve nas minhas mãos e por isso eu enjôo. Digerir essa mãe é longa e dolorosa tarefa, é chegar nas trevas de si mesmo. Um pouco de ódio, muita raiva e muitos gritos que não pude gritar. A mãe que te usa, não se importa se te abusam, e quando você cresce ela destrói tudo. E claro ela é perfeita perante os olhos do mundo, ela destrói a alma da filha, mas este crime nem Deus vê. Pois ela faz crochê do espírito santo, se arruma muito bem, é quietinha e vai a igreja. Sempre maltratam ela, ela é a única que sofre. Mas é isso puro teatro, um ser doente que me criou e sempre lutei contra todo este mal. Não me tornei como ela. Estou recolhendo por anos meus cacos. Eu busco essa paz que sempre me foi tirada e colar meu coração tão quebrado. Só me restou força. Mas hoje eu estou cansada. Que me guiem as águas puras desta terra, que me guiem para onde eu tenho que ir. O ciclo se repete. E eu não quero mais viver presa.

 Hoje eu pertenço a este lugar onde estou, esta fronteira que muito lutei para criar. Eu escolhi este lugar e me sinto bem nele. Nele eu sou...