segunda-feira, 19 de maio de 2025

O ciclo se repete

 Me pergunto até que ponto somos realmente capazes de curar algo? A raiva profunda da mãe perversa do pai abusador. Nunca poder confiar em ninguém. Uma angústia eterna e revolta de estar no lugar errado e não poder fazer nada pois estás sobre a autoridade de dois loucos. Compaixão eu tenho, mas meu ressentimento é dos grandes. Dói minha cabeça, eu só desejo sumir. Como atravessar essa dor? Ou não se atravessa. Não passa eu sei. O que é, é. O sofrimento é opcional diz os budista, mas a dor não. Então eu preciso digerir o que nunca esteve nas minhas mãos e por isso eu enjôo. Digerir essa mãe é longa e dolorosa tarefa, é chegar nas trevas de si mesmo. Um pouco de ódio, muita raiva e muitos gritos que não pude gritar. A mãe que te usa, não se importa se te abusam, e quando você cresce ela destrói tudo. E claro ela é perfeita perante os olhos do mundo, ela destrói a alma da filha, mas este crime nem Deus vê. Pois ela faz crochê do espírito santo, se arruma muito bem, é quietinha e vai a igreja. Sempre maltratam ela, ela é a única que sofre. Mas é isso puro teatro, um ser doente que me criou e sempre lutei contra todo este mal. Não me tornei como ela. Estou recolhendo por anos meus cacos. Eu busco essa paz que sempre me foi tirada e colar meu coração tão quebrado. Só me restou força. Mas hoje eu estou cansada. Que me guiem as águas puras desta terra, que me guiem para onde eu tenho que ir. O ciclo se repete. E eu não quero mais viver presa.

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