quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Até que ponto

 Penso até que ponto podemos expressar nosso ser sem causar danos? Mal sabemos do que nos cerca, do que está além das fronteiras que nos permitem estar. Não somos livres nesta existência, onde o homem ainda domina a mulher e a mulher ainda tem a mente dominada por tantos anos de escravidão. Por isso me pergunto até que ponto? Até que ponto entidades que se passam por seres de luz estão roubando nossa energia onde entregamos nossas dores em busca de alívio e este seres tão manipuladores criam campos de energia que parecem como "anjos", mas não são. Nossa cegueira é antiga. Às vezes me sinto apenas uma menina assustada, às às vezes sou uma mulher furiosa querendo botar fogo em toda maldade, às vezes sou apenas uma alma assustada buscando fazer o bem, depois de tantas vidas por caminhos errados. Como estar plena enquanto ainda crianças passam por experiências inimagináveis com seu corpo e sua inocência por seres sem empatia que as aprisionam e as sacrificam em seus rituais. Ou mesmo algo menor, um pai alcoólatra que abusa, maltrata, uma mãe narcisista que não protege e finge que não vê se alguém fere físicamente, emocionalmente ou psicológicamente seu filho. Quanto peso nas almas humanas. Nestas relações familiares tóxicas, e os caminhos solitários que um pequenino que precisa de proteção precisa passar. Eu passei por isso e por muito tempo neguei minha condição de sobrevivente. É um abuso velado para este mundo. Eu teria que ter marcas no corpo para ficar claro o quanto me maltrataram. E me cansa as religiões que dizem que eu merecia isso pela mal de outras vidas. Realmente só me é possível viver nesta e o passado está muito mal lembrado, por estes dispositivos ou sei lá o que colocaram em nós que não podemos compreender nossa totalidade e vivem inventando contos de fadas para nós calar. Até que ponto somos livres. Me assusta, como mulher a experiência fica muito intensa, cheia de perigos, para nós mulheres a liberdade já tem limites neste mundo patriarcal. Em qualquer guerra vamos ser abusadas, prostituídas e todo o tipo de insanidade que um homem que não tem nada a perder direcionem para nós...o mesmo serve para situações de caos, sem falar nas meninas...quem nos protege? Algumas vez em alguma era se preocuparam conosco? Como nossas filhas inocentes e frágeis?Passado ou futuro, as coisas não parecem boas. Um passado de servidão, onde o corpo  virou mercadoria para um futuro inexistente,onde um útero artificial vai gerar vida. E só Deus sabe o que será este tipo de vida, com alma, sem. Eu que não quero reencarnar em um robô...na máquina. É uma loucura tudo isso. Mas não depende da minha humanidade nada disso. Apenas serei atropelada por toda esta aberração. Tento entender um pouco da prisão que estando metidos, dos que criaram a nossa raça, de como Deus, a Deusa se manifesta em mim. No grande quebra cabeça da minha vida. E me parece que cada vez sei menos. Eu nunca soube nada, talvez pareça que saiba alguma coisa para me proteger. Mas hoje só conheço minhas dores e uma vida que nunca pode confiar em ninguém. Mesmo assim não me tornei uma pessoa ruim e não busco no mal solução para o mal que me fizeram. Não procuro ferir quem me feriu. Só segui quebrada e acredito que por isso estou inteira. Mas não quero que levem mas nenhum pedaço meu. E até que ponto o desejo de liberdade do cativeiro que vivi é apenas um sonho? E tudo se repetirá sem fim, os papéis serão preenchidos e não haverá saída desta samsara...estamos sempre causando danos de alguma forma


 Hoje eu pertenço a este lugar onde estou, esta fronteira que muito lutei para criar. Eu escolhi este lugar e me sinto bem nele. Nele eu sou...