Geradora da geradora
A pintura foi uma terapia para mim durante a gestação, necessitava conectar com o meu bebê que só soube que era menina quando nasceu, apesar de já saber intuitivamente. Neste mistério, comecei a pintar livremente, imaginando o parto e nosso encontro aqui fora...
Eu fiquei muito tempo de cócoras durante o parto, como havia pintado nessas imagens. Minhas pernas doíam, ficavam dormentes, eu caía e voltava pra mesmo posição, pelo menos lembro de algo assim. Foi a maior alteração de consciência que vivi e que talvez irei viver, senti que realmente que era um canal das "forças cósmicas e telúricas" , que ia morrer, achei que não ia conseguir, era muita expansão, o desconhecido que estava por vir e meu corpo nunca havia passado por isso.
Eu só queria o meu bebê, eu olhava pra cima pedindo por isso, mas no fundo pedia pra mim mesma, porque já não acreditava e não rezava para mais nada, se havia um deus, toda minha relação e crenças sobre o divino que foram aprendidas e praticadas morreram ali.
Lembro que a enfermeira me dizia para sentar em um banquinho que só faltava isso para o bebê nascer, enquanto a parteira Bruna dizia que essa posição era um contrato meu com o bebê. Essa é a grande diferença do sistema para as parteiras, parir não é lógico, racional, protocolar. Cada encontro durante a gestação com as parteiras Alejandra y Bruna, o respeito pelo meu tempo durante o parto, a confiança no bebê, a confiança no meu corpo foi o que tornou possível ter um parto natural. Fui transferida para o hospital porque minha pressão estava muito alta no começo do trabalho de parto em casa aqui em Garopaba. Cheguei no hospital com 6 cm de dilatação e em algumas horas já estava com 10 cm (não tenho a mínima idéia do tempo que passou), não precisei de indução, praticamente estávamos só entre mulheres, enfermeiras e parteira (dois mundos) em uma madrugada fria em que o médico do plantão "dormia" em todos os sentidos, e a única coisa que fez foi arrebentar o cordão da placenta e dizer que precisava de uma curetagem para ela sair porque já havia passado das 42 semanas como ele leu no livro de medicina...Mas não foi isso que aconteceu, felizmente houve troca de plantão, demorou o suficiente para o outro médico evitasse que eu tomasse anestesia, e quando saiu minha placenta, foi como outro parto de tanta dor, mas estava profundamente agradecida por não ter que passar por nenhuma cirurgia.
Eu cantava para dor, meu esposo apertava minha mão e eu só queria ter nossa filha nos braços, que assim como eu, nasceu em uma madrugada, pouco antes do amanhecer. Agradecia muito minha mãe pela minha vida, por ter sozinha me parido, sem ninguém para abraçá-la em um momento tão bonito e potente na vida de uma mulher; senti que nasci para chegar esse momento, de parir a Esperanza...eu estava tão esgotada e ao mesmo tempo tão feliz por ter conseguido, desejava intensamente por esse encontro, minha alma estava em paz...nossa menina desde muito antes da concepção tão amada, tão desejada, minha mestra e guia do amor.

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