quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Olho no olho




É o mistério que sinto quando olho nos olhos de Esperanza. Tem uma força, uma delicadeza, um amor tão desconhecido para mim, eu penso: de onde ela veio? quais vidas vivemos juntas? Sinto que somos almas afim, sinto que ela veio resgatar minha própria alma e consciência limitada. O passado e o futuro ao mesmo tempo, o velho e o novo. O que me passa despercebido, minhas falhas, minha dificuldade de presença, o meu não saber mais o que desejo...eu preciso me esquecer, eu preciso estar em mim, são tantas distrações e quereres do ego, que sinto que perco algo no desenvolvimento dela, que não posso alcancá-la, está muito mais a frente de mim. E me pergunto: o que posso ensiná-la? Mal eu sei o que é ser mulher, mal sei viver, vivo da busca, de conhecimentos inúteis para o cotidiano, dos meus olhares para o nada, dos meus cafés com chocolate para me acolher...das minhas fraquezas que tento esconder, da minha força oculta...



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