Hoje eu pertenço a este lugar onde estou, esta fronteira que muito lutei para criar. Eu escolhi este lugar e me sinto bem nele. Nele eu sou amada, sou protegida, livre para ser o que sou, para poder sentir e respeitar o que sinto, para poder pela primeira vez na vida me conhecer, dizer não, caminhar com minhas pernas sem medo, ser sensual sem ser abusada, proteger meu corpo. Neste lugar tem lugar para a minha inocência, para o meu brilho, para o meu poder. Nele eu não preciso mais me defender, nele eu existo, sou vista, não me importo com o que vem de fora, minha verdade é minha proteção. Eu posso sorrir e rir. Posso relaxar e descansar profundamente. Nada irá me acontecer enquanto durmo, ninguém irá tocar no meu corpo sem permissão. Neste lugar todas as partes de mim são minhas e meu coração não dói mais. Eu recolho os ossos e canto sobre eles. Aqui estou inteira novamente. Eu tenho energia, ânimo, alegria. Eu não choro mais por ter de acordar. Eu não preciso mais esconder meu corpo e sua beleza. Eu posso ser mulher em essência. Eu posso respirar, minhas articulações não doem mais, nem meu útero e não tenho mais vontade de gritar e quando grito minha voz sai. Eu consigo ajuda quando eu estou em perigo. Eu me salvo. Eu não preciso mais do outro quando mais precisei. Eu sou minha mãe, meu pai, eu sou o melhor de mim. Morrem muitas partes de mim e renascem as que que podem ficar. Como um fênix voou livremente, depois do fogo que transmuta. Eu não preciso mais agradar, eu escolho a mim. Aqui estou, este é meu lugar, e ninguém pode mais me ferir.
Corpo-Útero-Coração
domingo, 12 de abril de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
Este mundo é sempre o mesmo?
Em uma das buscas por conhecimento e informação sobre nossos tempos, eu filtro e descarto o que não faz sentido para mim, mas uma das coisa mais estranhas que ouvi é que em uma das dimensões do tempo e espaço já vivemos uma guerra nuclear, perdemos o cabelo e ficamos parecidos com os extraterrestres Grey's. E que no momento nós deste futuro catastrófico estaríamos evitando essa realidade já vivida. Ao mesmo tempo desta loucura toda, o mundo transhumano que está sendo materializado, toda a vigilância e inteligência artificial que precisa da nossa água, a falácia do crédito de carbono que é dar de beber para os data centers...penso na insignificância neste momento do meu drama pessoal. As buscas pela minha identidade perdida, dos meus sonhos e anseios antes de partir. A existência já tem me sido um bocado sofrida pelas dores de infância, da qual eu por questão de tamanho e desenvolvimento não pude evitar que muitas coisas acontecem comigo. Deixaram marcas profundas. Mas hoje não me ferem mais, hoje eu só posso trabalhar com a minha mente, o que me aconteceu me aconteceu. E sempre foi difícil aceitar isso, quando dependemos de outro para nos proteger. Ainda não consigo deslumbrar um mundo melhor, além de viver neste momento o melhor que posso e buscar compreensão maior sobre a vida. Não tenho controle sobre os acontecimentos ao redor de mim, somente como posso reagir a tudo isso. Aliás tudo está muito bem controlado pelo sistema no atual momento. Escrevo porque chega a um ponto que não há com quem compartilhar, as pessoas não são mais as mesmas, estão sendo totalmente neuromoduladas. Um grande reset da humanidade está a cabo e isso é só o que existe nesta triste realidade. Pelas manhãs eu acordo sentindo um vazio e buscando como posso realizar o que desejo, nada fora do comum dos desejos humanos. Mas não me engano, sei o que está acontecendo. Não há nada novo. Tudo está nas mãos de poucos que controlam tudo e agora já estão efetivamente no domínio da mente e logo da alma. O fato que nossa raça abriu mão de tudo é o que me assusta. Minha dores continuam ali, meus dramas, minhas faltas e meu fim cada vez mais próximo, o fim de toda a humanidade que conheci.
domingo, 25 de janeiro de 2026
Aquela menina que fui
Aquela menina que fui
Não é mais
Carreguei você comigo por tanto tempo
Agora não carrego mais
Não doeu, somente um pouco, porque me apeguei a ti por tanto tempo
Mas ela se foi
A mulher que sou hoje sabe o que não aceita mais
Minha travessia foi completada
É estranho, mas é novo
Fazer o que desejo, não mais sob o olhar da menina que fui
Antes eu era apenas uma criança que cresceu rápido demais
Não tenho mais medo de não ser vista, eu me vejo
É o que me importa
Assim sigo no meu caminho de amor
Tenho orgulho de quem me tornei, ou de perceber o que sempre fui
Da minha luz, tudo o que procurei esteve sempre aqui em mim
domingo, 16 de novembro de 2025
Protegida por uma Bruxa
Apesar de toda minha ferida com minha mãe nesta encarnação, foi e é através da ferida materna que encontrei forças na grande mãe. Da mãe que sempre busquei, do vazio da falta do amor materno, essa busca incessante por algo que acreditei que deveria ter vivenciado, que merecia como toda filha e que nunca recebi. Caminhando com essa dor, na escuridão eu recebo um convite à cura, protegida por uma bruxa de outra dimensão, às vezes com medo, às vezes com coragem, meu coração que nunca pode confiar em ninguém... É através de mulheres deste e de outras dimensões que meu espírito se cura. Para além de minhas crenças, há forças que esperam nós mulheres, e no escuro há muita luz. Sábias bruxas me guiem nesta jornada...
domingo, 12 de outubro de 2025
Eu só quero agradecer querida mãe terra
Por me ajudar a ter passado por tanto sofrimento
Da menina desamparada que fui, ainda encontrei forças em ti
E nos olhos de outras mulheres
Sempre há amor na terra e também em muitas mulheres
Não em todas as mulheres, somente as que são capazes de ter amor
Quero te oferecer meu amor grande Mãe, criadora de todas as coisas
Eu sou terra fértil, da dor eu floresci em mim mesma
Somente tua beleza tem me guiado
Eu estou em profunda gratidão pela memória que guardas em tua criação
Em como a natureza encontra forma de seguir em frente, sempre criando novos caminhos
Renascendo quando parecia tudo seco e morto
Hoje eu escutei tua mensagem
Meu ser mulher entendeu que apesar de todos os males que nos façam, somos poderosas, temos cicatrizes, mas sempre tem espaço para algo novo crescer, mesmo depois da morte de algumas partes nossas
Eu sou está menina desbravando o mistério do meu espírito
E sou a mulher que cuida e protege este caminho
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
Até que ponto
Penso até que ponto podemos expressar nosso ser sem causar danos? Mal sabemos do que nos cerca, do que está além das fronteiras que nos permitem estar. Não somos livres nesta existência, onde o homem ainda domina a mulher e a mulher ainda tem a mente dominada por tantos anos de escravidão. Por isso me pergunto até que ponto? Até que ponto entidades que se passam por seres de luz estão roubando nossa energia onde entregamos nossas dores em busca de alívio e este seres tão manipuladores criam campos de energia que parecem como "anjos", mas não são. Nossa cegueira é antiga. Às vezes me sinto apenas uma menina assustada, às às vezes sou uma mulher furiosa querendo botar fogo em toda maldade, às vezes sou apenas uma alma assustada buscando fazer o bem, depois de tantas vidas por caminhos errados. Como estar plena enquanto ainda crianças passam por experiências inimagináveis com seu corpo e sua inocência por seres sem empatia que as aprisionam e as sacrificam em seus rituais. Ou mesmo algo menor, um pai alcoólatra que abusa, maltrata, uma mãe narcisista que não protege e finge que não vê se alguém fere físicamente, emocionalmente ou psicológicamente seu filho. Quanto peso nas almas humanas. Nestas relações familiares tóxicas, e os caminhos solitários que um pequenino que precisa de proteção precisa passar. Eu passei por isso e por muito tempo neguei minha condição de sobrevivente. É um abuso velado para este mundo. Eu teria que ter marcas no corpo para ficar claro o quanto me maltrataram. E me cansa as religiões que dizem que eu merecia isso pela mal de outras vidas. Realmente só me é possível viver nesta e o passado está muito mal lembrado, por estes dispositivos ou sei lá o que colocaram em nós que não podemos compreender nossa totalidade e vivem inventando contos de fadas para nós calar. Até que ponto somos livres. Me assusta, como mulher a experiência fica muito intensa, cheia de perigos, para nós mulheres a liberdade já tem limites neste mundo patriarcal. Em qualquer guerra vamos ser abusadas, prostituídas e todo o tipo de insanidade que um homem que não tem nada a perder direcionem para nós...o mesmo serve para situações de caos, sem falar nas meninas...quem nos protege? Algumas vez em alguma era se preocuparam conosco? Como nossas filhas inocentes e frágeis?Passado ou futuro, as coisas não parecem boas. Um passado de servidão, onde o corpo virou mercadoria para um futuro inexistente,onde um útero artificial vai gerar vida. E só Deus sabe o que será este tipo de vida, com alma, sem. Eu que não quero reencarnar em um robô...na máquina. É uma loucura tudo isso. Mas não depende da minha humanidade nada disso. Apenas serei atropelada por toda esta aberração. Tento entender um pouco da prisão que estando metidos, dos que criaram a nossa raça, de como Deus, a Deusa se manifesta em mim. No grande quebra cabeça da minha vida. E me parece que cada vez sei menos. Eu nunca soube nada, talvez pareça que saiba alguma coisa para me proteger. Mas hoje só conheço minhas dores e uma vida que nunca pode confiar em ninguém. Mesmo assim não me tornei uma pessoa ruim e não busco no mal solução para o mal que me fizeram. Não procuro ferir quem me feriu. Só segui quebrada e acredito que por isso estou inteira. Mas não quero que levem mas nenhum pedaço meu. E até que ponto o desejo de liberdade do cativeiro que vivi é apenas um sonho? E tudo se repetirá sem fim, os papéis serão preenchidos e não haverá saída desta samsara...estamos sempre causando danos de alguma forma
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
A Deusa como origem e destino
"Muito tempo depois do patriarcado se haver tornado dominante em todas as esferas, ainda encontramos a concepção matriarcal, segundo a qual os céus e os mundos giram em torno da “cavidade” – O Grande Feminino -, de onde se origina a vida. E na Índia, em plano superior, a imortalidade é obtida a partir do mar de leite feminino”batido”, a respeito de que se diz: “A água é o leite vital do corpo do mundo, e o espaço cósmico é um mar de leite”.
Agora que já temos uma noção razoável do amplo escopo do Grande Feminino, que na verdade abrange quase tudo – céu, água e terra, e até fogo – na forma de filho por ele gerado e nele contido -, compreende-se por que esse Feminino não pode ser identificadoem hipótese nenhuma, com o telúrico.ctônico, com o meramente terreno e inferior, no que tanto insiste posteriormente o mundo patriarcal masculino, com suas relig~ioes e filosofias.
A totalidade do Grnde Feminino vai muito mais além da projecção em que ela une os elementos terra, água, ar e fogo.
(...) Entre as experiências mais impressionantes da humanidade estão aquelas relacionadas com a dependência que todos os corpos luminosos e todos os poderes celestes e deuses têm da Grande Mãe, bem como a sua ascensão e seu declínio, o seu nascimento e a sua morte, a sua transformação e a sua renovação. Não só a alternância noite-dia, mas também a mudança dos meses, das estações e dos anos estão subordinados à omnipotente vontade da Grande Mãe.”
In A GRANDE MÃE – ERICH NEUMANN
Hoje eu pertenço a este lugar onde estou, esta fronteira que muito lutei para criar. Eu escolhi este lugar e me sinto bem nele. Nele eu sou...
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Eu deixo minha infância aqui para viver outra infância dentro de mim. As dores, o desamparo, as humilhações e os abusos, o triste caminhar ...
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Geradora da geradora A pintura foi uma terapia para mim durante a gestação, necessitava conectar com o meu bebê que só soube que era menin...

