Eu gosto de estar na poeira da madeira. Construir um instrumento faz construir também dentro de mim. Os sons da minha alma encontram a natureza. Gosto de sentir o cheiro da madeira, do bambú quando lixado, como se transforma, como quantas vezes minha mente inquieta não consegue focar por muito tempo. Quando estou nos processos de construção de flauta nativa eu sinto o vento, eu vejo o rio, as folha se balançando, o espírito das coisas. Eu não desisto e ainda há tanto para aprender. Muitos anos. Mas o espírito da flauta está comigo. Eu danço, toco para o fogo, mergulho nas águas, vôo com os pássaros. Escuto meus guias. Converso com Deus, eu agradeço de verdade. Um amor correspondido que cresce cada dia. O Grande Espírito não esqueceu da sua filha.

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