quinta-feira, 23 de março de 2023

Hoje vou olhar para ti

 


Meu pequeno vou te contar um pouco da minha história, o que não quer dizer que ela seja verdadeira, vou te contar do que sei e inventar um pouco para parecer mais comigo mesma. 
Sei que estás em outra dimensão e que minha alma te acolhe, mais deste lado querido, as coisas são lentas e o mundo está de cabeça para baixo literalmente, e eu sou mulher!
Em abril eu completo mais um ciclo de vida, meus aniversários são motivos de separação, dor, tristeza, confusão...tem haver com meu pai e minha mãe e a sua grande infelicidade, cada um à sua maneira de deixar as data comemorativas serem dias muito ruins. Só que isso é uma memória e este ano eu espero passar por isso de forma melhor. Ano passado estava com minha Esperanza, que ainda não sabia que era ela, e tive contrações e sensações muito ruins, depois da visita do meu pai. Porque eu não falo dele e do masculino? Porque não me interessa dar espaço para isso, estou em um profundo resgate do feminino, e também porque acho uma grande sacanagem a mulher está sempre acolhendo tudo. O homem não dá a mínima para essas questões. Hoje mesmo escutei algo incrível, de uma mulher, que nós não temos que nos perdoar de nada, não temos culpa, talvez perdoar esse supremacia masculina, o patriarcado que colocou a mulher como objeto, para servir a sociedade e a dividiu em duas, santa e puta...ah meu querido, você já consegue sentir a dificuldade para mim de ter um filho? 
Esperanza é minha guia, sem ela já teria afundado, não eu não vou colocar esse peso nela, mas ela me resgatou e o resto é comigo. A maternidade não é facilitada para a mulher, nada que tenha a ver com mulher nesse mundo é tranquilo. Minha vida agora é outra, eu tenho novos desafios, e eles se complicam quando temos filhos. Para os homens é diferente. E isso é como eles, eu não tô afim de resolver questões que não me cabem nesta encarnação, nasci mulher meu amado e Esperanza também. Vamos completar um ciclo juntas e eu já estou me sentindo estagnada de novo, já me recuperei, não completamente, mas já ando bem, minhas articulações pararam de doer, emagreci, meu corpo não é mais o mesmo, mas estou bem, me adaptei a amamentação, etc. Eu sei que no fundo pode ser que você seja outra menina, eu não sei. A escolha é minha, eu tenho curiosidade, mas parir novamente, estar tão exposta, eu que nunca tive ninguém para cuidar e estar comigo, isso realmente é muito pra mim. Cansei de ser a super heroína, esse mundo é uma grande piada cósmica para as mulheres. Que abraçam tudo, tudo é sagrado, divino, etc. Toda essa experiência passa pelo nosso corpo, que nos joga para uma dimensão nada acolhida por este mundo lógico, racional, frío ...as próprias mulheres não são mulheres, e agora andam usando a gravidez, o parto, o pós parto, os filhos, o sangue, etc como mercado. Cursos e outras coisas para aprender a se curar, cerimônias bonitas e nada de mudança nenhuma, na verdades logo a mulher nem vai existir com a agenda lgbt.... A aberração humana que está acontecendo. E eu quero sentir o que é ser mulher. Eu sou de barro, eu tô firme, eu só me moldo em mim mesma e eu não vim da costela do Adão. Eu vim de mim mesma. Eu fiz uma benção do útero,e na visualização eu paro minha própria mãe. Fiquei chocada, mas foi isso mesmo. A força vem de mim, mas agora tô cansada, agora eu preciso renascer, eu preciso passar por essa sensação de falta de ar que carrego, essa escuridão que faz que eu sinta que vou morrer. E por falar nisso acho que foi isso que aconteceu no meu nascimento. Eu nasci com o cordão enrolado no pescoço, pode ser essa memória na hora de sair e vir pro mundo. Se for isso creio que logo me será revelado, estou preparada. Eu tenho que me aceitar, eu tenho que permitir seguir inacabada, eu sou uma mulher assim, eu escrevo para quem eu não posso me comunicar. Você não está nessa dimensão e meu pai, eu sinto muito pela nossa história, nós fomos impedidos de nós amar, mas você também já estava ausente antes mesmo de eu existir, mas eu sinto tua falta. Obrigada mesmo assim, nós apesar de tudo já nos gostamos para além das palavras e da nossa ligação de pai e filha. Eu sou uma mulher agora e você não sabe respeitar uma, então agora eu me respeito e me protejo. 

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