quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Das dores e alegrias




Não conheci o amor, e sim o abandono, a rejeição, a raiva, a solidão...nunca soube o que é sentir-se querida e amada. Só tenho experiência de parecer estar no lugar errado com o direito de existir negado. Porque meu existir estragou a fantasia de uma mulher muito ferido sobre sexo: minha mãe que se casou com a fera que lhe feriu mais ainda: meu pai. Vergonha, culpa, medo? Eu jamais vou saber, mas parece que a violência e o pânico foram minhas primeiras memórias e com isso já se colocou um marco pesado sobre minha existência. Mas prossegui, com sonhos, ilusões, minha devoção até o encontro com Cristo em uma cerimônia de Ayahuasca. Uma busca incessante de mim mesma ao mesmo tempo me rejeitando. Como amar a mim mesma se não fui amada? As dores da minha maternidade perdida, os abusos físicos e psicológicos, a minha invisibilidade, minha confiança na vida tão cedo perdida, minha raiva, minha impotência. Mas nada se compara ao milagre para mim em ser mãe, gerar minha filha, saber que a vida segue através de mim e que para isso tenho que honrar minha jornada. Todas essas dores fizeram ser quem sou e não por isso preciso seguir vivendo no limbo. Também não sou a mãe perfeita, fracasso todo dia em tudo, mas ainda assim renasço. Às vezes demora para encontrar minha fé perdida em mim mesma, mas ela chega. É duro, é caótico, dói. Sigo com a dor do abandono, das humilhações, mas isso é só uma parte da minha vida. Há que se buscar dentro de si com paciência a força para seguir. A força para amar a si mesma. Para mim sempre foi difícil olhar para mim. Por isso ne tornei a salvadora, a disponível para ser vista. Não há nada lá fora, cada um está lutando com seus demônios. Eu sigo no amor, por mim, por minha filha, pela vida. Honro minhas cicatrizes, integro o mal iniciou minha vida ao bem que escolho viver e seguir.

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 É desta oração que derivou a versão atual do "Pai-Nosso".Ela está escrita em aramaico, numa pedra branca de mármore, em Jerusalém...