quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Eu sempre fui o que pude

 



Chegou um tempo que preciso abandonar a mim mesma, o que acreditei sobre mim ou mesmo ouvi. São fragmentos, faces limitadas de todo um potencial que posso desenvolver. Há uma voz que é minha e a quem posso revelar? Estou aqui para quem sentir coração com coração, alma com alma, todo o resto é invenção. Me aproximei do divino para escapar do meu sofrimento, e nem por isso a dor deixa de existir ou a injustiça. Posso eu fazer alguma coisa por mim mesma? Do cedo abandono que vivi parei de confiar em Deus ou mesmo na face da Deusa? Por que me deixaste aqui sozinha, onde estavas quando precisei do teu abraço? Me colocaste com aqueles que estavam mais doentes do que eu para enfim deixá -los e cuidar de mim mesma? Sem anestesia a costurar as minhas próprias feridas? Estou renascendo, confio apesar de tudo. É necessário deixar essas capas, os pesos, as medidas, os julgamentos. Não preciso colocar no outro a responsabilidade que ele não toma. Estou sozinha, o resto é ilusão. Tenho que conviver comigo mesma e me amar. Sou luz, sempre fui, ainda que as trevas caminhem comigo. Não desisto da face divina que me guia, essa face feminina que me sorri e me abraça, para que possa seguir, guerreira que sou minha jornada por essa terra que logo se divide em duas. As estações não são mais às mesmas, nem as pessoas, o clima, ou que mais for, já não se conhece mais o mundo que se viveu. A realidade é sombria para os próximos anos e por isso entre tantos fragmentos há que entrar mais luz, mais luz.

Luz de luna

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