sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Das cinzas

 

Às vezes me sinto tão velha

Tão bruxa 

Perdida

Vazia

A criança abandonada

Tão pequena, tão menina

Quebrada em tantas partes 

Que não me vejo no espelho

Dói o peito, falta ar

Falta amor

Violada, esquecida

Caminho sem rumo

Com minhas asas quebradas

Sei que minha solidão é o que marca minha existência 

Mulher invisível, ignorada 

Rebelde, meu corpo queima em busca da verdade 

E nas sombras encontrarei alguma liberdade?

Eu sigo teimosa, com meu olhar de Medusa 

Que saia um grito de luz

Sou Perséfone sem Deméter 

Sou Ísis e colo minhas partes

Renasço

Do meu próprio ventre

Sou  fênix  a cada manhã 

Luz de Luna


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