quinta-feira, 4 de maio de 2023

A profunda tristeza por trás de tudo



" [...] este mundo onde nascemos e que vemos belo e perfeito na aparência, é cruel e perigoso e por detrás de tudo há um perigo…a violência humana que começa na parental…e a da natureza, uma simples vespa que te pica, ou um crocodilo que te come uma perna, e mesmo por detrás de cada árvore ou planta há uma serpente e de cada rosa, a flor mais bela, há um espinho e cada animal, o mais inocente, tem um predador que o persegue e mata para comer…e os homens tem a guerra e o crime, as paixões por coisas de nada…Não, este mundo não é de deuses nem de anjos, é de predadores em que os deuses são inclementes, e as forças da natureza implacáveis e podem destruir tudo num ápice e assim o mar e o ceu…mas nós fomos forçados a acreditar num mundo que não existe, a fugir ao absurdo de viver no medo, criando cidades monstruosas, lugares fictícios, paraísos perdidos e por ultimo tecnologia que nada humaniza…fomos forçados a acreditar num mundo falso supostamente justo, de luta entre o bem e o mal e dai buscando mil formas de tapar a realidade que nos assustava em criança e o medo da crueldade humana e animal e acabamos por construir um mundo artificial onde pudéssemos viver…"

Rosa Leonor Pedro

Eu sinto uma profunda tristeza e uma profunda raiva. Nada na minha história é diferente do que está escrito aí. Com crochês, Tupperwares e outras coisas pra manter a casa organizada e bonitinha foi escondido coisas sujas, podres. Eu queria descer os degraus para saber o que tinha lá no fundo e hoje me assombro. Nada é novo no mundo das mulheres, mas conhecer o que foi oculto é devastador para a psique. Não sou fruto de amor, sou fruto de violência. Seja lá como está história se desenrolou em sua verdadeira essência, a sinto desde meu útero e da minha alma quebrada. Quero chorar rios, meu choro vem com injustiça, violação, silêncios, torturas psicológicas. O que posso dizer nesta minha insignificância existência é que os danos que uma mulher dissociada do seu ser pode fazer são muitos, porque nós mulheres podemos ser mães. E eu sou uma. Sim de uma outra história, desejei minha filha antes mesmo de a ter no meu ventre e com muita confiança nela nos encontramos. Após o seu nascimento, eu fui quebrada em mais partes, que inconsciente eu atraí e começou então a minha vida, depois desse tempo todo inventando um jeito de seguir em frente com tanta dor, de abandono, rejeição...Lilith me apareceu, eu não entendi nada, posso dizer que na hora do parto se rompeu algo mim, eu assumi que eu não acredito em Deus. Ainda tenho uma certa esperança em compreender desde outro lugar o que tudo que passei significa, para além de estereótipos, sem dúvidas foi o que minha filha Esperanza não me deixa esquecer. 


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