segunda-feira, 1 de maio de 2023

A busca, é a busca do outro



 Há um ano meu corpo e minha alma ganharam outro sentido, outra direção. Há uma ano eu não sabia que alguns encontros seriam o fim, enquanto uma nova fase da minha vida começava. A minha percepção sobre minha natureza como mulher mudou completamente, eu eu estava entregue ao processo. Há quase um ano eu recebi minha menina. Este encontro é um grande marco na minha história e na minha existência. Feridas vieram à tona, me senti paralizada, em pânico, enquanto a maternidade seguia seu curso, eu apenas com minha intuição e força para seguir com minha menina, nós estranhas conhecidas enquanto nas sombras, estavam minhas emoções adormecidas. Há uma semana vivi uma sensação devastadora na minha psique, porém quanto mais sei, mais em sinto viva e recebo os pedaços do meu coração e alma quebrada. Minha menina é tudo o que eu não consegui ser: uma filha que cura, uma filha que com amor e harmonia tira uma mulher ferida das sombras para enfim encontrar o seu caminho. No fim percebi que minha busca era a busca do outro, da mãe, pois eu rejeitada no ventre me nutri de emoções venenosas e de situações que no íntimo cada mulher deve ter seu motivo para ficar, enquanto horrorizada eu tento ter compaixão por mim e por ela. A falta me levou a busca, frieza a raiva, e a desconexão a criar um falso senso de eu. Minha vida realmente começou quando pari, tudo o que passou foi um engano difícil de engolir, mas estou digerindo, estou aceitando minha história, que faz parte da história de muitas mulheres, e não, não é bonita. Às vezes sinto um enjôo do qual há muito tempo não consigo vomitar. E cada mulher no seu âmago sabe o que isso significa e como dói. Dói a dor do quanto é ruim ser mulher e o que foi feito com isso. Eu estou aqui ara fazer algo com isso, para não permitir que nos façam mais nada, pensar por mim mesma e descobrir o caminho de me amar. Amar essa mulher cujo a existência foi marcada pela dor e falta de respeito, pelo mal que recai sobre as mulheres, pela sensação de não ser bem vinda neste mundo, por lembrar da ferida, indesejada seguí, indesejada inventei uma história para sobreviver, bati em algumas portas, em alguns templos...nunca há espaço para nós se você não servir, e eu quero servir a mim mesma...eu pari minha menina, nós nos encontramos, ela me salvou, me deu meu primeiro abraço de amor, ali eu senti com toda força que uma mulher pode sentir que não havia "deus", só havia eu mesma e a alma que trazia no ventre. Neste mistério nosso encontro, a ruptura da vida quebrada que eu vivia e agora, silêncio, espera, assombro e por amor eu sigo, não preciso mais buscar o outro, eu já me encontrei.

Luz de luna

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