terça-feira, 18 de abril de 2023

Mãe

 

Mãe

De tantos desencontros

Nós nos recebemos

Cansadas, partidas, feridas

Nunca nos conhecemos inteiras

Nem conhecemos o amor

Quando cheguei já parti

Quando cheguei já haviam muitas distâncias entre nós

Agora sei mãe porque dói, porque não podemos estar juntas de verdade

E sem culpa eu te deixo, com sua dor, eu te libero menina-mulher

Somos tão órfãs, mas tivemos uma a outra

Você me carregou e inventou uma vida para seguir enfrente

Não precisamos mais disto, que nos machuquem quando somos tão sagradas

Não precisamos mais conviver com nosso algoz como se não valessemos nada

Para mim você é tudo, por mais não seja capaz de receber amor

Eu te amei

Mas agora eu sigo, no caminho para mim mesma, por mais que você não aceite

 Solto tua história para seguir com a minha

Minha mãe, minha mãezinha querida, que você seja a última a passar por isso

Te honro e te levo na alma e no meu coração, mesmo que partido...

Bruna, apenas Bruna

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