quinta-feira, 27 de abril de 2023

É difícil deixar o sonho morrer


 Nós mulheres desde muito pequenas somos ensinadas a agradar para poder participar de uma sociedade doente há milênios. Nossa alma é fragmentada a um tal ponto que pouco a pouco vamos perdendo qualquer noção de eu ou possibilidade de pensamento próprio. De meninas comportadas com laços vamos direto para a cova dos leões, com uma sexualidade distorcida que nos divide e nos transforma em rivais, as santas ou putas. Os homens não foram divididos, eles seguem entre mulheres bem comportadas e as que não são, passam de uma para outra sem grandes conflitos aparentemente. E nós vamos juntando os pedaços deste dois mundos que criaram para nós, ao ponto que toda a exploração do nosso corpo, sendo criadas para servir pelas próprias mães, que prostradas por esse sociedade não puderam fazer nada e penso eu que não podemos fazer mesmo... é cruel a forma como estamos sobrevivendo, como nos escondemos, ou mostramos demais, ou como silenciamos as profundas violações que passamos, em nome do amor, da família ou o que seja. Passamos de um época para a outra com as mesmas questões, em que o sistema mascara de feminismo (tornar a mulher um homem) ou política (distraindo cada vez mais da sua essência). Não sei muito, sou jovem, mas já percebi essas armadilhas, elas não alimentam a fome da nossa alma e nem tudo o que nos tiraram, nossa espiritualide, nossos ritos, nossa mãe Deméter, ouso aqui na minha fantasia dizer que o rapto foi de Deméter e assim ficamos filhas sem uma mãe para nos iniciar. Somos órfãs, temos muito trabalho pela frente, seja pelas filhas, filhos, seja por nós mesmas... É difícil deixar o sonho morrer, que nada irá nos salvar, nem política, nem "sagrado feminino", ou que mais invente para nós distrair. Pelas nossa mães nos tornamos mulheres infantilizadas e pela universidade fazemos o mesmo que os homens, ocupando seus cargos e lendo seus livros. E logo provavelmente nem poderemos dizer que somos mulheres, neste sistema satânico que assombra nossos dias. É o fim da nossa espécie, seja pela experiência genética a qual a humanidade está passando ou pela crise de identidade que vivemos e gênero, em que querem nos transformar em aberrações, destruindo tudo de belo e puro... começando com as nossas crianças. Sim eu paralizei, sim eu me isolei, já não sei como seguir, desde que cheguei aqui... não posso mais criar um mundo que não existe, a coisa é séria, hoje vivo pelo amor da minha filha e toda a sua força e pureza. Que as mulheres de verdade me abençoem e e eu receba a inspiração para seguir em frente  nesse mundo que acabou. Certeira, como Ártemis.


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