sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Todas as mulheres são faces de mim mesma

 



Há tempos tenho uma dificuldade para me reconhecer em outras mulheres e olhá-las com amor, ao mesmo tempo que me dediquei através das terapias e da dança a ajudá-las a ter um tempo para si e para o seu feminino. Sempre foi um paradoxo na minha vida essa caminhada. Andar em direção a mulheres ao mesmo tempo que sempre senti um mal estar e rejeição grande por elas. Eu ajudava a olhar seu feminino, enquanto mal tinha tempo para o meu. Resumo disto: minha mãe, queria curá-la, e por muito tempo neguei sua frieza e falta de empatia por mim mesma, sua filha...

Eu gostaria de ter uma voz que fosse minha, mas estou fragmentada e mal me reconheço. Quando danço livre, me sinto novamente em minha Alma, por isso sempre gostei de dançar sozinha. Agora não danço mais como antes, algumas vezes para minha filha, mas estou repartida com ela, não consigo me desligar completamente e voltar mim...

E minha voz, essa voz lá de dentro, se calou nos últimos anos e hoje já nem sei mais o que falar. Às vezes sonhos que falo e não sai a voz, isso talvez porque nunca me escutaram de verdade. Como a relação com a mãe permeia toda a sua vida. Estou na minha caminhada para mim mesma e não para outras mulheres, mas também sinto e sei que é através de mulheres que nos reconectamos com as partes que perdemos.

E os caos, os meus pedacinhos quebrados, o meu perfeccionismo que tanto me impede de ser eu mesma. Ser mãe sem ter tido uma mãe de verdade. Hoje senti que por alguns minutos que não podia ser tão boa mãe, mas quando olhos nos olhos da minha menina, sinto que tudo está bem, há o nosso amor, essa energia que compartilhamos, o amor incondicional que não conheci, direto desta pequenina.  Eu não fui amada assim e tenho que aceitar e seguir em frente. Sem negar minha dor, meu abandono. Escolher a mim mesma, me amar e acolher minhas imperfeições. Por não estar inteira, mas estou em todas as mulheres que não gostam de mim, as que me admiram, as que me ignoram, as que me tratam sem empatia como minha mãe, estou nas que são maltratadas ou que maltratam, nas que amam de verdade, nas que cuidam e se entregam sem medo ao amor. Mas eu sou eu mesma, o poder que carrego, a dor e a alegria. Eu escolho o amor, e essa escolha por si é abrir mão do que conheço e mergulhar no desconhecido.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nós nascemos para sermos livres

 Livres para poder escolher um novo caminho, uma nova visão, um nova maneira de ser. Livres dos sistemas de aprisionamento, família, educaçã...