De Aragão Elishaim via Rosa Leonor Pedro
Da minha história e das histórias de mulheres que ouço todos os dias…
Do esforço que fazem para serem dignas de um relacionamento , das represálias arcaicas que ainda são alvo por serem sozinhas e com filhos , das próprias artimanhas que elas criam e inventam para sobreviver … de que é feito este desgosto e peso histórico(?)
De que são filhas mal amadas, mulheres não respeitadas , profissionais não reconhecidas , a menos que usadas ou vinculadas ao serviço e ao proveito de alguma companhia ou órgão patriarcal de poder.
Ficando elas ,sempre , polarizadas ou masculinizadas , para fazerem frente á abrupta batalha ou submissamente limitadas ás suas características femininas , como cozer, cozinhar , cuidar , bordar…
Nesta batalha , nesta travessia ,somos ainda alvo de uma tremenda violência e inquisição social, e isso está implícito nas histórias de todas e de cada uma de nós.
Do que fazemos para sentir algum do nosso poder ou dignidade para nos permitirmos a receber a receber da vida.
Ainda que conscientes e algumas patriarcalmente intelectualizadas , racionalizadas , dormentes e dissociadas do físico e apenas polarizadas na expeculação mental, do que ainda não foi integrado, incorporado e vivido no corpo e no dia a dia…
Poucos recursos , escassos apoios e pouca informação e nenhuma sensibilização , ainda que com mulheres á nossa volta , o apoio é subjectivo, frágil e permeável a fáceis julgamentos …
Vai ainda ,a procissão tão no adro, socialmente , culturalmente, profissionalmente…
Há uma necessidade tremenda de um trabalho feito com e para mulheres …
Ainda marginalizadas , sob vários contextos , estamos ainda tão polarizadas e sem respostas, sem saídas , nem apoios concretos e práticos .
Talvez pelas nossas infâncias , talvez por uma história arcaica plasmada no ADN das nossas células , talvez pelo culto constante de ostracização de que somos alvo e não nos dá outra saída senão a de vítimas ou dominadoras implacáveis .
No terreno, diariamente , socialmente não há nada…
Há crenças … de que não conseguimos mais , nem melhor, há crenças de que temos que nos sujeitar ,há crenças sobre o medo e a retaliação
Há crenças sobre a retaliação e o desmerecimento .
A culpa e o medo que corre ainda nas veias de todas nós , sob pena e julgamento da guilhotina social e até de umas para as outras, e isso não difere das atitudes, movimentos e funcionamentos ainda assentes no machismo .
Há Deus e presença em luz além da crueldade sob o proveito dos egos(?!)
Cultura ainda assente nas vozes de amigas e familiares “ girl you gotta love your men” ( já cantava Jim Morrison , Que sem lhe apagar as qualidades poéticas , caracterizava um narcisista misógino)
Invés de compreensão e irmandade… me foi devolvido inúmeras vezes “ és demasiado inconveniente , excêntrica , intimidatória , carismática … tens que entender que os homens, as mulheres …não se sentem confortáveis …” está foi também a grande justificação , para que tantas vezes me limitasse , amputasse e fizesse por caber em espaços e conceitos alheios…
Hoje compreendo um dos meus maiores desafios e processos pessoais , aceitar o que sou e como sou e aceitar tudo o que eventualmente provoque ou que os outros sintam, isso não faz de mim , menos mulher ou má pessoa, apesar de tantas vezes me quererem fazer crer.
E da minha história , muitas idênticas em que algumas mulheres sofrem abusos, não apenas de homens mas de outras mulheres, a maioria até próximas , irmãs , amigas , familiares … do quanto nos é vendida a fantasia , enquanto crescemos que a presença de um homem e um romance contribui para a nossa realização e êxito , tudo isto fruto de uma sociedade , culturalmente dissociada de valores e princípios mas apoiada em movimentos e vontades machistas
Há também terapeutas e psicólogos iluminados , que devolvem o senso de responsabilização ás mulheres , cujo o padrão alimenta , quer abusos , quer agressões alheias , falam desta autoresponsabilização , como consciência … e está tudo certo, desde que culturalmente , socialmente , familiarmente , nos fossem dadas ferramentas de consciencialização , princípios de dignidade, auto respeito , invés de nos serem vendidos romances e novelas , invés de ostracizadas socialmente ,as mulheres que estão sozinhas ou até acusados e difamadas,porque escolheram dizer “ Basta”.
As mulheres , algumas , as que despertam , as que se procuram( e não estou a falar de movimentos de elites e da moda new age espiritualizados, falo das que buscam o caminho de regresso ao seu coração ), todas nós ,com feridas e dores por sarar, (como todos , os que estamos nesta passagem, nesta dimensão e neste planeta)… estamos ainda sozinhas, com muito poucos recursos de apoio , concretos e práticos e pouca informação , ainda sozinhas e as vezes com filhos em braços , carreiras e estudos que fazemos por cumprir, enquanto cuidamos da casa e porque algumas de nós , não por cobardia ,mas por coragem, colocamos limites nas nossas vidas .
Ainda somos alvo de mesquinhice , intriga e desdém em meios sociais, por amigos , vizinhos , ainda chantageadas profissionalmente , na ansiedade que o nosso solo se torne firme e seguro mas tantas vezes ainda reduzido e ameaçado
O mundo apresenta se machista e misógino em vários contextos e cenários. Para os homens , maioria deles ,somos alvo de troça, porque ao longo de séculos e perdidas na corrente , ainda perdemos tempo a atirar bolas de cócó umas ás outras, á espera que um homem… um “ pai” nos venha dignificar a presença no mundo.
Observo inúmeros filósofos e teóricos que salientam máximas , dizem uma coisa mas fazem outra, ou falam sem experiência vivida, e a verdade é que as mulheres , tantas e tantas com profundas qualidades e potenciais, ainda tão longe umas das outras , vendidas e compradas em verdades elitistas da nova era e agora do novo mundo…
E que me poupem, porque ainda não se diluíram os valores e poderes do “ velho mundo “ , já estão a criar elites e valores do “ novo mundo” , alimentando mais do mesmo ,noutra roupagem, poder , estatuto e gratificação … não é isto mais do mesmo (?!)caracterizados nos traços narcisicos e psicopatas(?)
Uma visão dourada e marketizada de uma mentalidade da idade da pedra, disfarçada de muito consumo, informação desnecessária , deboche e vómitos especulativos , mantendo imagens ,stories de romances mal paridos , intervenções estéticas , e sítios “ in” obrigatórios … tudo o que possa ser reunido para que aparentem uma imagem de sucesso, das suas ( maioria das vezes , tristes e escassas ) vidas
Isto para não falar , que não basta a confusão entre a mente e o coração e os corpos desalmados ,desta moda sem género para servir agendas poderosas machistas , narcisicas e misóginas …
Não falo de prazer , amor ou de como as pessoas exprimem os seus afectos, mas da especulação ostensiva sem seleção ou análise deste conceito andrógeno a servir a perversão e corrupção do género e alimentar a esterilidade para cumprir uma agenda psicopata .
E o exagero de opiniões mais do que a capacidade de ouvir … ouvirem se a si próprias e ouvir com compaixão as outras .
Ainda andamos á pedrada com valores e direitos humanos, já estamos a pensar que queremos mudar de sexo , para fazer ajustes ás agendas psicopatas, narcisicas , machistas e misóginas dos poderosos que controlam o mundo.
Sou mulher, SIM!
Com todos os defeitos e qualidades , com todas as instabilidades e sincronias femininas, a pagar todas as facturas com impostos acrescentados da condição humana e género que a minha alma escolheu nesta encarnação …
Nada tenho contra os homens ou a energia masculina , apenas desmoralizada com os valores priorizados e do tanto que se adaptam , abusem e permitem a falta de senso, apoio e união feminina
#pelasmulheres
#mulheresemreconstrução

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