Tenho estado em uma busca constante por mim, por as partes que reneguei, pelo O que escolhi não ver, por me perdoar por me sentir culpada pelo o que não fiz. Através das dores eu usei como válvula de escape o espiritual e vivi uma vida ainda mais longe de mim para sobreviver. Eu ficava alegre por um pouco de atenção por quem no fundo nunca soube me reconhecer ou amar. Eu sempre estive tão sozinha, que acordei deste sonho e estoi sozinha de verdade para me preservar, para estar comigo mesma e não na confusão dos outros. Dancei para me alcançar, eu sempre me ocultei tão bem que já nem sabia quem sou e nem sei. Mas parei de andar em círculos ou procurar situações onde era rejeitada para depois me sentir injustiçada. Eu estou me autoparindo em direção ao meu segundo nascimento. Eu escutei as mensagens que me levaram até minha filha, e no dia que ela nasceu eu dei luz a mim mesma. Foi tão intenso este dia que desmaiei e perdi a consciência depois de tê-la em meus braços. Eu lembro que tive que voltar para este corpo, para seguir na Terra com ela. Eu sei que não foi só puro cansaço do maior esforço e dor que tive da vida, sem falar as questões psicológicas e traumas que ali eu estava vivendo enquanto trazia uma vida para a terra. Eu sei que fui para o mundo espiritual e sei que sabia que tinha que voltar...e aqui estou dançando o sonho. De tão órfão que fui desde os primeiros segundos no ventre da minha mãe até a força e amor que me unia a minha filha. A mulher em mim acordou. Imagino que só com muita luz foi possível viver o que vivi durante estes anos, escolhi esquecer para sobreviver, mas aqui estou novamente encarando as sombras. Há momentos que sei que só tenho a mim mesma e não sinto que isso seja ruim, que há uma força além de minhas faltas, que há luz na escuridão que tentou tomar minha vida muitas vidas. E eu escolhi a vida, que este sonho seja uma jornada em direção do amor e de celebrar meu ser quebrado em tantas partes. Estou aqui comigo, cada dia, neste mistério que é reconstrução de tudo o que perdi para tentar pertencer. Eu danço o sonho, danço minha profunda estranheza, minha alegria dolorida, meu caos, meu ser feminino, todo o abandono que vivi me levou até a mim. Respiro e sigo, aprendendo a conviver com a dor e com as alegrias que me vem chegando por estes tempos. Estou chegando a mim mesma.

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