Escrevo aqui para que eu lembre dos momentos que estou à flor da pele, em que sou tão mulher, com esse corpo que dói, que sangra. Eu me pergunto onde estou me enganando? Em um "mundo" que se acabou e outro chega, ainda com tanta destruição, pressa, desconexão, e uma loucura humana de correr atrás de rituais antigos, principalmente das mulheres para buscar sentir algo. Eu agradeço por ver e ser capaz de perceber que a escuridão anda utilizando as mulheres e seus rituais. Que em uma busca cega estão expondo tudo que lhes foi suprimido: seus símbolos, sua magia, suas habilidades, seu corpo... só que para mim é como uma convulsão em que depois estarão cansadas. Precisamos ainda viver do passado? É como se colocassemos saias e muita cor para não sermos completamente invisíveis. É como brincar de casinha não mais como meninas, e sim mulheres adultas infantis. Onde vamos parar? Eu pergunto porque me enviam sonhos, filhos de outra dimensão? Meu corpo sente tudo ainda desde que pari, meu corpo sente as dores que estão cravadas no meu útero por coisas que não vivi e sim as que vieram antes de mim. Eu decidi e sigo firme em fazer meu próprio caminho, não sou leal mais a ninguém. Deixo as dores de cada ancestral e não sei porque no fundo tenho que curar alguma coisa...estou cansada destas terapias, desses jogos ilusórios das mulheres. Sei que tenho que estar entre elas, não quero estar entre os homens, muitas vezes só sinto um vazio neles tão grande, estão muito mais perdidos que as mulheres. Mas nós somos usadas todo o tempo, nosso corpo, nossa alma. E temos depois que dizer que tudo é maravilhoso e mágico. Nem sempre!!! Só porque somos mulheres? O que eu aprendi agora com todos estes ataques? Eu tenho condições de ser uma curadora? Existe isso mesmo? Me sinto muito grande e muito pequena. Como mulher às vezes muito grande e cheia de coisas que não podem ser ditas, esse mundo não escuta, não sabe ler e muita pequena tamanha a ignorância que vivemos em um mundo que nada muda. E ainda há muito pela frente para mim e para minha menina. O que uma mulher pode ensinar para uma menina que chegou a pouco tempo no mundo, que se acabou?...

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