Somente agora sendo mãe e mãe de uma menina que consigo compreender melhor algumas partes de mim e da minha ferida de menina e agora da minha ferida de mulher. Sim de mulher, pois assim que me tornei mãe pude enfim sentir que iniciava minha jornada como mulher. Ao parir a minha tão desejada menina, que já me aparecia em visões e com sua energia me fez me afastar de tudo e todos que ainda restavam na minha vida. E agora mais que nunca com seus 7 meses, venho me afastando com bastante dificuldade das relações nada saudáveis e nesse caso, além do meu pai que já me afastei, a mais difícil é a minha mãe.
Sou filha de uma mulher forte como todas nós somos, mas uma mulher que não cresceu, uma menina em corpo de mulher. Uma menina que já muito cedo no ventre da sua mãe foi completamente ignorada, pois essa mesma mãe minha vó também era uma menina em corpo de mulher. Meninas não são boas mães, meninas ignoradas e não amadas por suas mães são piores ainda. Acho que toda mulher que tomou consciência que foi criada por uma mãe narcisista sabe que no fundo não teve mãe. Quando li isso eu realmente fiquei um pouco chocada, pois sempre fiz um esforço enorme achando que eu sempre fui uma má filha e pessoa. Mas a verdade não é essa e só nós mulheres que passamos pela tortura psicológica por ter uma mãe assim sabemos disso. E eu também tenho um pai narcisista, mas a relação com a mãe é viceral, profunda. E como mãe e filha, eu sei na pele das duas o que significa.
Eu sou profundamente, loucamente, exageradamente apaixonada por minha filha, é um amor que nunca senti dessa forma por nenhum ser humano, é um amor desses que não nos importa a nossa vida, que o sangue ferve, a alma se alegra, o coração vibra, transborda de amor, sempre digo para minha menina que esse planeta é muito pequeno par ao que sinto. E sei e sinto ao mesmo tempo que não fui amada assim, e mal sei o que é ser acolhida ou ter recebido um abraço de verdade da minha mãe.
Dói, mas a menina tem que crescer, uma filha precisa de uma mãe. E nesse momento é minha missão, o encontro mãe e filha, a partir de muitas gerações de mães narcisistas. Esse é meu poder. Eu tenho empatia apesar de ter crescido na frieza, apesar de ter uma mãe que investiu sempre no meu mal estar.
É o começo de um encontro de alma com minha menina, que transforma cada pedacinho do meu corpo e da minha alma ao mesmo tempo que me afasto do nada saudável ambiente tóxico e disfuncional que eu cresci. Eu gostaria de poder ajudar outras mulheres, mas não sei o que ser amada por uma, tive mãe e vó que fizeram o seu melhor e eu sou muito grata, amo as duas, e aí que é o complexo dessa relação. Como se afastar de alguém que te deu a vida, você ama, mas te faz mal?
Vou contar minha forma de lidar com esta exaustiva situação. Eu só estou compreendendo isso aos 31 anos. Escrever é uma forma que me ajuda a lidar com essa questão para não tornar isso tão repetitivo na minha mente, pois os danos psicológicos e abusos emocionais são muitos, nós acabamos caindo em muitas armadilhas...
Acho que a primeira coisa é admitir que como li, é que tenho enfrentar tudo sozinha. Minha mãe nunca esteve presente nos momentos que eu mais precisava e isto segue agora sendo mãe. O distanciamento emocional é grande e no mundo dela seu sofrimento é o único que vale. Não quero aqui julgar , já julguei muito, minha relação com ela é um grande desencontro, passei a minha vida toda tentando entender, olhando sempre pra ela procurando o porque, mas sempre acaba em briga, discussão e muitas vezes eu já duvidei até da minha sanidade mental. Sim porque um mãe assim não aceita críticas, é rígida e mente sobre você e mente pra você.
Quando menina acredito que minha rebeldia, e minha espiritualidade foi o que me salvaram. Espiritualidade tão pequenina? Sim, somente agora compreendo porque sou médium e porque sofri tanto nesse lar que nunca se importou com o que os outros sentiam. Eu vim sentindo tudo, uma tortura sem limites, sim sofri muito e quando falava de coisas além era ridicularizada ou ignorada. Sim os danos estão aqui, minha auto estima é baixa, apesar das pessoas virem uma mulher forte, grande, inteligente, criativa, etc. Para completar sou índigo, tenho o emocional fortíssimo, ainda tem muito para trabalhar internamente. Mas foi somente assim que se torna possível o passo que estou fazendo agora. Pois provavelmente estaria nas drogas ou em uma relação abusiva. É importante entender que sou um pessoa singular e tiro forças de não sei aonde. Mas se você mulher se identifica é sempre necessário ajuda de algum terapeuta se verdade, nada de terapias holística com pessoas pouco capacitadas que podem se aproveitar da sua dor, como é o movimento nova era. E por que eu digo isso?
Bem vamos lá, vou ver se eu consigo colocar alguns pontos que são importantes para nós mulheres que passamos por isso...
O primeiro é que tudo que escrevem sobre nós foi escrito por homens que naturalmente não sabem a experiência do que é ser mulher. Então analisem bem o que escrevem ou falam sobre as mulheres. Estamos ainda em um sociedade patriarcal, no domínio do pensamento do homem sobre a mulher. Mesmo as feministas com seus escritos, ainda estão pensando como homens (pois buscam igualdade e ocupar cargos) ignorando a essência tão perdida que é a feminina. Temos que pensar por nós, isso é um trabalho interno importante para a psique feminina. O sistema criou uma grande trama de dificuldades para nós mulheres podermos nos curar (religião, ideologia, pornografia, prostituição, casamento, feminismo, ideologias, espiritualidade nova era, etc.)...
Depois vem a questão cristã, a qual fui criada e muitas de nós no Brasil. De pai e mãe e tudo na nossa educação que nos coloca como submissas ou quando decidimos nos libertar de algo que nos faz mal, como eu estou fazendo, você será uma vilã. É uma divisão, santa e pecadora. Mulheres que falam o que pensam ou não obedecem, são punidas. No meu caso sempre fui invisível, fui criada em um lar disfuncional, uma mãe e vó narcisistas, manipulando a todos, se fazendo de vítima, e tudo o que eu faço de bom e tenho de poder completamente ignorado, sou a mulher invisível. Não tem nada pior para elas que a atenção não seja dirigida para si. Aí começa a rivalidade feminina e cresci com a rejeição.
Das terapias, eu busquei muitas e uma delas é a constelação familiar. Lá descobri que "tomei" o lugar dos meus pais quando criança e que minha criação foi fortemente marcada pela autoridade da minha vó, a qual até hoje aos 56 anos da minha mãe ela tenta agradar sem sucesso (é muito tempo!) e devido a essa relação tóxica ela viveu com meu pai, codepedente, e daí vem todos os traumas e confusões que vivi (relação conturbada, os dois são narcisistas) e somente depois de 30 anos de casada, depressiva e destruída internamente ela saiu desse casamento (história de muitas, mas muitas mulheres). E agora ela estando sozinha (nada mudou na nossa relação) eu pude enfim perceber, depois de me maltratar bastante emocionalmente que minha vida e tudo que minha mãe contou não é lá bem verdade. Falo porque é importante entender que conviver com uma mãe com essas questões psicológicas, é conviver com conflitos que sempre acabaram em brigas, raivas, jogar um contra o outro e por fim você leva a culpa, porque ela jamais vai pedir desculpas ou tomar responsabilidade. Então o que quero dizer que a constelação mostrou muitas coisa para entender sobre o sistema famíliar, porém fica a crença "o sucesso é a cara da mãe" por exemplo. Uma filha como eu não teve sucesso até agora, e eu fiz muito, mas muito esforço para olhar para relação de forma harmonica nessa abordagem, mas o afastamento dela é a única coisa possível. Para o meu bem psicológico e do meu bebê. Não há paz quando vivemos esse tipo de relação. E por isso temos que olhar dentro de nós, para nossa ferida, para nossa dor e optar por nós em primeiro lugar. Eu nunca fiz isso, agora mesmo me sinto culpada de me afastar, sendo que nunca se preocuparam comigo ou com o que eu sinto. Porque nós mulheres temos que nos maltratar assim? Tomem cuidado com as terapias, e as terapeutas que romatizam as relações familiares. Sim, eu indico a constelação, mas nesse caso específico digo que não é bom fazer a aproximação física. Eu trabalho de longe, agradecendo pela vida que me deram e por tudo mesmo, eu sou cada vez mais grata, ainda mais agora com a minha menina, mas relação não é possível se quero estar bem emocionalmente para poder criá-la.
Além do patriarcado, das questões cristãs, das terapias e terapeutas, eu passei por tudo isso por isso posso falar. O que nos resta é aprender a confiar na nossa sabedoria feminina, temos que nos ajudar a confiar em nós mesmas. Sim é difícil, se você como eu teve que crescer muito rápido porque seus pais são infantis, negligentes, egocéntricos e investem no teu mal estar, você sabe o peso que carregou até agora. Mas é hora de ser mulher, tomar a própria vida com as mãos, nossas filhas precisam de nós, precisam de uma história linda de amor entre mãe e filha, precisam urgentemente.
Eu sinto muito pela minha mãe e sua menina ferida e e não amada, eu tentei muito curá-la, eu me tornei terapeuta, eu sou médium, índigo, imagina a minha vida!!! Um turbilhão de emoções, sentir, visões e o que você recebe é só frieza e falta de empatía, ou , "fale menos", "quando olho pra você lembro que tudo deu errado", "seja menos", etc. Tudo para te derrubar e fazer que você se sinta tão mal para se igualar a ela. É pesado eu sei, mas temos que crescer, eu quero seguir em frente sem mochilas pesadas, e para isso tenho que pagar o preço. Eu adoraria ter uma boa relação com a avó da minha pequena mas neste momento não é possível, até minha menina já está afetada. Porque o nosso amor incomoda, até o meu amor pela minha filha é bombardeado. Nossa, não é fácil, mas vamos lá com amor por nós mesmas, compaixão pela nossa linhagem e muita sinceridade com o que nos passa viver nossa vida. Eu escrevo porque não tenho ninguém e quando as pessoas romantizam essa história triste e cruel que passamos não nos ajuda.
Espero que possa ajudar mulheres que como eu passam por isso com algumas palavras, que não estão sozinhas, que ainda amam, tem alma, são criativas, que honram o sagrado em si, eu sinto que tudo deu errado, mas não, não posso acreditar nisso, não acreditem!!! Vamos recomeçar mesmo cansadas, vamos amar nossas filhas, beijá-las muito, olhar em seus olhos, abençoar seus úteros, o quão divinas mulheres irão se tornar. Assim como nós que passamos por todo o abuso emocional e psicológico por nossas mães, meninas não amadas, mas que mesmo assim fizeram o que podiam por nós e agora nós que crescemos e enfrentamos tudo sozinhas, como os felinos, como uma pantera negra que passou pela escuridão, vamos iniciar nossas filhas nos mistérios da vida, vamos nos tornar o que viemos ser. Vamos caminhar por essa terra como bruxas, sacerdotisas, olhando o bem, o amor, sem necessidade de parecer nada, apenas sentir o contrato que fizemos com a terra e retormar nosso poder.
Bruna Luz da Lua





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