segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

E no meio disso tudo onde há espaço para o ser mulher?




 "Como las olas el mar que unas vienen y otras van

Que yo me quedo esperando sin consuelo."


Gostaria de  dizer que alcancei lugares de harmonia com o meu feminino, uma mulher livre e forte como algumas mulheres me chamam, apenas me chamam, mas não ficam para me acompanhar na vida...o distanciamento físico (o emocional sempre existiu) da minha linhagem feminina é necessário nesta etapa da minha vida, para o que estou criando, para as sementes que estou plantando, para o novo em mim. O que dói é saber que não tem para onde correr, que não há como evitar um remorso, que não há colo, compreensão, porque jamais fui vista como mulher e serei vista pelos meus próximo... É aí no sistema familiar, que teremos as primeiras impressões do desenvolvimento de menina para mulher, se tivermos consciência de sair da menina  pelas meninas-mulheres que fomos criadas...vivo o que me transborda na alma, a dor do grande desencontro emocional com a minha mãe e a alegria e o desafio do encontro de alma com minha filha.  A ponte entre o passado e futuro.

Pela primeira vez senti o peso real do que é ser mulher (ignorada no seu íntimo), quando você não agrada, não faz o que esperam, quando você deixa de ser um despejo de lixo psíquico para os outros. Percebo que não há espaço para suas dores do corpo, seu sentir mulher...eu sei que não falo dos prazeres, o que recebi de memória no meu corpo são dores que estão sarando, mas sinto a necessidade de dar espaço para o que dói, para acolher, para dar nome, ou mesmo para gritar e tirar de dentro de mim...

 E no meio dessa agenda maléfica, eu me pergunto como mulher, como mãe de uma menina (não sei mais falar só por mim) onde encontramos espaço apenas para o ser mulher? Nesta loucura deste Sistema em que as mulheres ainda acreditam em política, instituições, nas famílias, nos homens (eu ainda acredito um pouco, nos homens de bem, mas mesmo assim não sabem ver a mulher), porque não lutamos pela nossa causa, pelo nosso útero, pelas nossas dores? Porque ainda filhas do pai, da carreira, do sucesso. Eu fui uma completa filha do pai, fui criada para isso, o feminino nunca teve lugar na minha criação, nem dentro das mulheres... é tanta falta que me projetei para fora e o mais doido como não consigo me adaptar a nenhum sistema falhei lá fora também. E hoje me sinto assim frustrada, entre masculino e feminino. E sim terapeuta nova era não tenho boa relação com papai e mamãe, mas isso é uma longa história, a qual já estou cansada de reviver... nós podemos ir em frente, somos seres individuais, claro é mais difícil ser mulher porque mal sabemos ser uma. Eu nunca soube o que é um amor maternal, ser aceita , acolhida quando mais precisava ou escutada, e não culpo mais minha mãe, ela também não soube o que é isso, mas acredito que assim como eu, muitas mulheres podem sair da indisponibilidade para algo melhor, eu quero a mudança, eu vivo isso em casa pedacinho do meu ser...mas é esmagador o que está acontecendo agora com a humanidade. Porque há um lado meu que não consegue desligar do que se passa ao mesmo tempo que tudo volta a mãe. Sim porque a mãe é nosso primeiro amor, seja do homem e da mulher. Sendo assim a mulher precisa ser olhada, a sua dor, o seu amor, a sua voz perdida, sua alma, a mulher precisa ter espaço que não seja círculos onde nenhuma escuta a outra, ou círculos cheio de deusas e pouca compreensão. 

Acho importante os círculos, cada qual tem sua função e pode ajudar as mulheres no que cada uma busca, à sua maneira...minha experiência é essa e neste momento estar em círculos não me acrescenta em nada, na verdade os últimos círculos que participei só perdi energia vital...

Sei que ainda é minha menina que espera ansiosa por algo que vai se decepcionar, e escolho crescer, ser mulher, me despir de mim mesma, soltar meus fogos para liberar meu útero, meu coração das mágoas, dos silenciamientos, dos conflitos, daquilo tudo que nunca fui, para ser e estar, para revelar o que sempre fui e não me permitir ver.


8 comentários:

  1. Se algum dia quiser e tiver tempo de assistir há uma palestra bem legal sobre o ideal feminino. https://www.youtube.com/watch?v=0vlM2oBaFdM

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  2. Essa também: https://www.youtube.com/watch?v=MDp-7Wu5078

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  3. Obrigada pela visita e pela indicação. Estou buscando pensar por mim mesma, uma escuta profunda para assim encontrar o meu feminino. Indico o blog da escritora portuguesa Rosa Leonor Pedro e seu livro Lilith a mulher primordial. Vai além de tudo o que há sobre o feminino, pois fala da primeira mulher.

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  4. Obrigada, Bruna! Eu li seu post sobre o livro e vou ver o blog... A minha indicação não está nem além e nem aquém sobre o feminino... Penso que tudo o que falam e o que escrevem e o que ensinam são apenas faíscas que podem ou não ajudar na observação de algum cantinho obscurecido... Desejo que você encontre seu feminino, seu masculino e que quando estiver encontrada possa e queira reconstruir as pontes que te conectam a sociedade por mais imperfeita e doente que ela se mostre. Vou passar por aqui quando der e te ler com bastante silêncio... sem te interromper! Prometo! Um abraço carinhoso!

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  5. Falo por que a mitologia é escrita por homens, assim ainda não conseguimos ter uma real visão da mulher, para além do feminismo também que é uma tentativa da mulher de escrever sobre si mesma, mas ainda assim continua presa a psique masculina. São muitas partes renegadas de nós mesmas para se adaptar à esse sistema. Por isso gosto de indicar o livro da Rosa, que fala desde a alma feminina, mais a experiência do que esteriótipos e armadilhas para nós mulheres. Muito grata pelo retorno e palavras. Um abraço de luz, que sejamos fiéis a nós mesmas por estes caminhos que cada vez nos separam da nossa essência

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  6. Eu te entendo e concordo com você somente dentro de uma visão puramente materialista, mas tudo bem, não precisa concordar.
    Há um homem que escreveu em algum lugar, não lembro o nome do livro, que o diálogo é capaz de produzir consciência, assim como a luz permite a visão, nunca uma visão única, uma visão apenas...
    Eu vou ler o livro que você indicou, mas não consigo, nem quero conceber que ele e que nenhum escrito me passará uma visão real ou totalmente livre de estereótipos das mulheres... Eu já nem procuro isso em nenhum escrito... Talvez eu esteja aprendendo a lidar com as inconsistências e inconstâncias do mundo, das pessoas e do conhecimento... Está tudo bem que as coisas não sejam tão exatas, sabe...
    Eu passei por aqui li seus escritos e compartilhei a palestra “Feminino na Mitologia”, pela professora Lúcia Helena, pois acho ela maravilhosa, não acho ela perfeita ou totalmente livre de estereótipos ou representante da alma feminina, mas uma mulher, uma filósofa que pensa por sí mesma a partir de diversas literaturas clássicas e que faz isso de uma maneira maravilhosa.
    É importante aprender a discernir (penso que esse é o primeiro passo no caminho de qualquer caminhante)... aí nada poderá nos tornar infiel a aquilo que existe de essencial em nós. Há um livro escrito por um homem, que tem uma frase da qual concordo muito que diz: "O falar na melhor das hipóteses é uma mentira honesta, ao passo que o silêncio é, no pior dos casos, uma verdade nua".
    Sobre essa questão de encontrar a essência do meu feminino... penso que lá também está a essência de meu masculino... numa profundidade vertical, ao achar um eu encontro o outro...
    Sobre o materialismo histórico também acho importante que as mulheres escrevam sobre as mulheres, negros sobre os negros, indígenas sobre os indígenas... Representatividade importa e todas as minorias sempre foram mutiladas... é difícil, é dramática e conflituosa essa questão.
    Mas quando falamos de alma... também é importante que a alma fale sobre a alma e a alma não tem cor, sexo ou etnia... e mesmo dentro de uma circunstância de sexo, cor e etnia ela fala dentro de uma universalidade... Embora não totalmente livre dos limites impostos pela sua circunstância de sexo, cor e etnia... Nesse ponto, acho crucial a conquista do discernimento... Sempre peço a Deus que me dê discernimento e compreensão.
    Beijos, me perdoa pelo textão

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  7. Que você encontre o que busque. Tenho a plena consciencia que só nós mulheres, em nosso íntimo, em nossa alma sabemos o que somos. Sinto que não há nada escrito sobre nós... é o mistério que me move. Do resto, muitas incertezas. Que o amor nos guie e nossa própria causa, nossa identidade feminina, que não nos tirem mais nada. Beijo no coração

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  8. Qualquer um que conheça verdadeiramente o seu íntimo conhecerá também o meu, saberá quem sou... Que possamos um dia nos reunir em silenciosa comunhão. Um beijo.

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